História do Parque das Águas e de Caxambu
É imprecisa a data da descoberta da primeira fonte, mas, no começo do século XIX a região já era visitada. No início era apenas uma mina d’água de difícil acesso aos doentes. Em 1841 o local foi abandonado e um riacho encobriu a fonte. Dois anos depois, um negociante de Barra Mansa, Antônio de Oliveira Arruda, desmatou a área, descobriu uma nova fonte e promoveu obras no lugar. Foi construído um rancho de madeira onde foram instaladas duas banheiras que serviram até 1868.


Em 1849 foram descobertas quatro fontes, das quais uma secou e três permaneceram, cada uma com um tipo de água: gasosa simples (D. Pedro II), ferruginosa (D. Isabel) e sulfurosa (D. Leopoldina). O local continuava sem nenhuma infra-estrutura.
Em 1852, João Constantino Pereira Guimarães e Teixeira Leal, um estudioso da natureza das águas, se associaram a José Nogueira, proprietário das fontes, herdadas da partilha da Fazenda Caxambu. Os sócios construíram um local para receber os doentes e uma mercearia para venda de gêneros alimentícios. Os banhos eram gratuitos. A fama das águas começou a mudar de “santas” para ” virtuosas”, uma vez que as curas passaram a ser registradas. Em 1861, foi proposta a desapropriação das fontes e do vale para a construção da cidade.
Somente em 1868 foi liberado um crédito e designado um engenheiro, Júlio Augusto Horta Barbosa, para a retomada das obras necessárias à chegada da Princesa Isabel, que buscava a cura de uma provável infertilidade. Continuaram os melhoramentos, como um novo aterramento das áreas próximas às fontes, o ribeirão do Bengo foi canalizado e seu curso foi desviado para não afetar a qualidade das águas minerais. Pela primeira vez foram construídas coberturas para os “poços” e a abertura das fontes foi afunilada, facilitando o acesso às águas. As obras dotaram o local da infra-estrutura necessária para a instalação de hotéis e para a fixação de moradores, fazendo crescer o povoado. Os doentes podiam, agora, permanecer durante todo o ano. Em 1873, foi aberta a estrada “zig-zag” que leva ao topo do morro Caxambu com recursos de moradores e freqüentadores da estância.
O ano de 1875 foi de grande importância para o povado, pois além de tornar-se Distrito de Baependi, as virtudes curativas de suas águas foram reconhecidas, tendo sua exploração concedida pelo governo da Província de Minas a empresas particulares. Nesta época (1881) a cidade contava com apenas 200 habitantes efetivos, 130 edificações e iluminada por 21 lampiões a querosene. Em 16 de setembro de 1901 é criada a Vila de Caxambu. Época de grande desenvolvimento, foi neste período que foram feitas as principais obras de infra estrutura, como serviços de água e esgoto, aberturas e calçamento de ruas, avenidas e praças, canalização do ribeirão Bengo etc.
Em 1886, organizou-se a Cia das Águas Minerais de Caxambu sob a presidência do Barão de Maciel e dirigido pelo Dr. Polycarpo Viotti e Coronel Alexandre Pinto. Nos quatro anos seguintes, a companhia fez a captação das fontes, montagem de chalets – Viotti, D. Pedro, P. Isabel – a construção do Estabelecimento Balneário, a retificação do córrego Bengo em 2 km, o ajardinamento, arborização e gradil do parque e a montagem do Hotel da Empresa, na chácara do Cel. Theodoro de Carvalho. Em 1890, a concessão é vendida ao Conselheiro Francisco de Paula Mayrink que, até 1905, promove a captação das fontes Duque de Saxe e D. Leopoldina, a instalação do gradil de ferro em torno do parque, e a instalação do engarrafamento pelo processo da gaseificação, com gás da própria fonte. Durante a administração do Conselheiro Mayrink, as fontes foram cobertas, a maioria seguindo o estilo pitoresco de chalés, presente também na arquitetura do balneário, hotel da Empresa, restaurante e diversas edificações locais. O estabelecimento balneário, embora terminado, funcionava com o serviço hidroterápico incompleto, devido à falta de um técnico que pudesse atuar nos banhos.
Nessa época, a vegetação do Parque resumia-se a bambuzais em suas extremidades norte e sul e cedros em sua área central. Não havia qualquer tratamento paisagístico, embora o gramado fosse bem cuidado e se cultivassem flores como beijos de frade, margaridas, dálias, magnólias e roseiras. A falta de recantos sombreados era um problema que impedia o seu uso nas horas mais quentes do dia. Além disso, a falta de sanitários, associada com os poderes diuréticos das águas, também era assinalada como motivo para a pouca freqüência de turistas.
A chegada do século XX trouxe a criação da Vila de Caxambu, desmembrada de Baependi (16-09-01) e a instalação do município (02-01-02). Nas duas primeiras décadas do século XX, foram vários os melhoramentos como coberturas, banheiros e instalações sanitárias. O lado esquerdo do Parque oferecia quadras de tênis, futebol, balanços e outros jogos. Data dessa época, a instalação dos pavilhões das fontes D. Leopoldina, Beleza (ou lntermitente), Duque de Saxe e Viotti, todos em ferro fundido. Em 1911/12, foram edificados o Estabelecimento Balneário e o prédio do engarrafamento (1911), além do galpão de lavagem de garrafas e o depósito de vasilhames. No biênio 1912/13, foram projetados, na Bélgica, os pavilhões metálicos que, no entanto, parecem ter sido instalados somente após 1917. No ano seguinte, trabalhou no Parque Francisco da Silva Reis, o Chico Cascateiro. As obras de ajardinamento e paisagismo, com várias espécies de flores, realizadas nesse período, deram notoriedade ao conjunto. Em março de 1919, foi inaugurada a iluminação elétrica do Parque.
Por volta de 1920, o Parque, com aproximadamente 52.000 metros, terminava na fonte Mayrink, O limite era cercado de tela e o local que, 3 décadas depois, se transformou em lago, era ocupado por residências com grandes quintais e pomares. As décadas de 1920 e 1930 foram de grande desenvolvimento para a cidade que passou a ser a mais conhecida e procurada entre as estâncias hidrominerais. O poder público colaborou para as melhorias na urbanização, saúde e serviços. Em 1938, foi construída uma piscina externa, do lado esquerdo do Balneário, abastecida por águas minerais radioativas retiradas da Fonte Mayrink. Com “lava-pés” e toda revestida de azulejos, a piscina ainda era iluminada, proporcionando um belo espetáculo à noite. Anexo a ela, foram construídos vestiários e instalados bancos e mesas. No “Roteiro Balneário” de José Casais, em 1942, o parque foi retratado como “ideal”, com avenidas amplas e arborizadas, quioques rústicos com mesas, jardins maravilhosos e as fontes protegidas pelos elegantes pavilhões. Destacavam-se o imponente edifício do Balneário e a piscina, da qual se orgulhavam os caxambuenses. O parque possuía também um rink de patinação, construído na mesma época da piscina e campos de tênis, “play ground”, além do delicado coreto.
Com a proibição do jogo no país e fechamento dos cassinos em 1945, a cidade entrou em um período de estagnação e precisou enfrentar a queda do fluxo dos turistas. A área, ocupada por residências, começou a ser desapropriada a partir daquele ano para a construção do lago. Com uma extensão de 51.000 metros quadrados, a obra só seria finalizada na década de 1950. O novo limite do Parque foi demarcado por um muro de arrimo. A área ao redor do lago foi gramada, transformando-se num jardim panorâmico. As alamedas próximas às fontes foram calçadas com pedra São Tomé nas partes de maior movimento. Foi captada a Fonte Venâncio e construído seu pavilhão
Caxambu hoje, ano de 2009, é um município localizado na região sul de Minas Gerais, na Serra da Mantiqueira, sendo conhecida como importante instância hidromineral e considerada uma das principais cidades do circuito das águas de Minas Gerais. Com altitude de 895 m, tem climatropical de altitude, com média anual de 17°C e a média do verão de 21°C.
O Parque das Águas “Dr. Lisandro Carneiro Guimarães”, de Caxambu, tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha) é o principal ponto turístico e cartão de visita do município. Possui uma área de 210 mil m2, onde estão localizadas o balneário hidroterápico e as 12 fontes de águas minerais, cada uma com suas características próprias.
